Deixo-vos outro excerto de uma crónica de Manuela Cunha Pereira, que escreve no educare.pt.
Apesar de nunca ter tido nenhum aluno com este tipo de dificuldade, achei o texto muito bonito e a experiência fantástica, do ponto de vista pedagógico mas, acima de tudo emocional.
O texto integral pode ler-se no site educare.pt ou na minha página Outras reflexões deste blog.
« Foi em setembro que te conheci!
A minha primeira aluna, enquanto professora do Ensino Especial (ainda não especializada).
Conheci-te Alice... caso estranho o teu!
Lembro-me que o teu diagnóstico era mutismo seletivo. Sabes o que é Alice? É um estado de ansiedade social. És capaz de falar com as pessoas que tu "eleges", normalmente através da vinculação afetiva, mas és incapaz de te expressar verbalmente em determinadas situações. Por isso, privas-te severamente de participar em atividades de grupo, por exemplo. É como uma forma de extrema timidez. Assim, as pessoas como tu podem passar todo o tempo completamente caladas na escola, por exemplo, durante anos, mas falar livremente ou excessivamente em casa.
Pois e agora? O que fazer? Perguntava-me.
Até que um dia...
Deixei-me de teorias e deixei-me levar pela minha intuição, pela minha capacidade de improvisação, pelo afeto, pela tua confiança em mim e...
Um dia, lembrei-me que a tua turma tinha aulas de dança. Tu adoravas ouvir música e, curiosamente, gostavas de música mexida.
O milagre acabou por acontecer! Conseguiste dançar livremente!
Nunca te esquecerei! Nunca esquecerei o tanto que aprendi contigo. Nunca te direi adeus! Foste embora e eu também. Tive de ir para outra escola. »
in www.educare.pt
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