29 dezembro 2011

Criança "Deficiente"

Quem és tu?
Um anjo, um pássaro, um ser do além?
Vejo os teus olhos no infinito,
vejo no silêncio do teu corpo
uma luz de um outro sol.
Nós, os “normais”,
o que sabemos nós de ti?
Nós temos a razão,
o pensamento, os preconceitos,
os conceitos, a “sabedoria”.
E ... entretanto, somos “robots” ...
E tu, quem és tu?
Ah, criança,
meu ser do outro lado do mundo,
talvez tu tenhas uma sabedoria
à qual nós não podemos chegar.
Não por tua causa,
Mas porque nós ainda não crescemos ...
Talvez tu não nos possas cantar
toda a música da tua alma
porque o nosso ouvido e o nosso coração
ainda não estão preparados.
Olho-te e vejo-te através do meu ser imperfeito ...
E quando posso ir mais ao fundo,
mesmo ao fundo ...
Chego quase a compreender
que o teu ser é como uma flor
perdida neste mundo dos
“deficientes normais” ...

 Poema de Julio Roberto

Pela primeira vez, Mariana, sentiste o toque do giz...

          « Foi em setembro que te conheci, Mariana.

       Lembro-me, Mariana, que estavas sentada na tua cadeira de rodas, já ultrapassadíssima, na fila da frente. Tinhas graves dificuldades de aprendizagem e como se isso ainda não bastasse, estavas presa àquela cadeira.
      Também tu tinhas medo! Tinhas medo da tua incapacidade física, tinhas medo de te expores, tinhas medo de responder as questões e falhar... falhar novamente, já não te bastava aquela cadeira. Aquela maldita cadeira que te separava da vida, que te impedia de sonhar, que te impedia de correr, de ires atrás de uma vida que supostamente, segundo as leis da natureza, seria a tua. 
      Mais uma vez fiz o exercício da inversão e não gostei do que senti! Imaginei-me da tua idade, com a tua condição física, imaginei o que poderia sentir, imaginei uma esperança limitada, umas expectativas frustradas. Levantei-te e muito pacientemente, passo a passo, quase percorrendo uma eternidade, levei-te ao quadro muito agarrada a mim. 
     Amparei-te e tu, pela primeira vez, sentiste o toque do giz, pela primeira vez sentiste a emoção de escrever no quadro. Pela primeira vez, estiveste em pé, de igual para igual. Pela primeira vez, sentiste-te o "quase" firmamento das tuas pernas e por momentos sentiste a magia de todos te aplaudirem. Foi um momento extraordinário para todos nós, sobretudo para ti. Tu sorriste!
     E como não queria defraudar os meus futuros alunos (mesmo que nessa altura não fosse necessária qualquer formação) iniciei a minha especialização em ensino especial, tinha urgência de abraçar não só emocionalmente mas também cientificamente este mundo que um dia me assustou.
      No ano seguinte... no ano seguinte... esperavam-me outros "meninos/jovens especiais", sem eu o saber "já estava escrito nas estrelas". »

       Este pequeno texto é um excerto de um artigo de opinião de Manuela Cunha Pereira*, publicada no site Educare. Partilhá-lo, significa partilhar sentimentos que todos nós, professores, sentimos, especialmente os que trabalham diariamente com alunos especiais. Quando o li, reconheci as minhas próprias motivações para enveredar por este caminho e espero poder ajudar muitos "meninos/jovens especiais" com esta pós-graduação.
     
        Um bem-haja a todos os que me apoiaram e apoiam nesta jornada!


Para ler a crónica, visite o site EDUCARE ou a minha página Outras reflexões

*Manuela Cunha Pereira é professora especializada em Educação Especial e autora do livro Autismo - Um perturbação pervasiva do desenvolvimento . É Presidente do Conselho Geral do Agrupamentos de Escola de Gondifelos e mentora e formadora/dinamizadora dos projetos "Escola de Pais Especiais" e "Sala de Aula Desenvolvimental - Crianças Especiais". Frequenta atualmente o mestrado em Educação Especial.

Robôs para estimular alunos autistas

      Grupo da Universidade do Minho tem em mãos um projeto de apoio à terapia com crianças e jovens autistas. Os robôs funcionam como meio de comunicação e interação e a família também entra no processo.
     Há computadores e papéis em cima das mesas de trabalho. E há máquinas que se mexem sozinhas, comandadas por processos complexos mas que têm uma missão bem definida. Um grupo de investigação da Universidade do Minho e a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Braga andam concentrados num projeto para a utilização de robôs como meio de comunicação e interação com alunos autistas. A aplicação de ferramentas robóticas para melhorar a vida social de alunos com autismo, melhorando as suas habilidades de interação e comunicação com pessoas e em contextos diferenciados, é o grande objetivo de todos os envolvidos nesta operação.

Docente cria objectos para crianças cegas brincarem com outras

     A ideia de inclusão está por trás dos brinquedos que Leonor Pereira criou. Esta docente inventou cubos com cores contrastantes, formas geométricas e texturas, e um tapete com quadrados também com cores, formas e texturas. Joga-se o cubo como se joga um dado e associa-se à forma do tapete. O resultado permite que todas as crianças, invisuais ou não, apreciem os objectos.
       “A partir do primeiro minuto começaram a brincar e a dialogar uns com os outros. O interesse deles foi muito engraçado”, disse a professora ao PÚBLICO, recordando o momento em que testou pela primeira vez os objectos numa turma mista com crianças que vêem, outras com dificuldade de visão e outras cegas.
       A produção dos objectos fez parte da tese de mestrado que realizou na Universidade do Minho, com a supervisão da investigadora Joana Cunha. 
      Leonor Pereira dá aulas de Educação Visual a alunos dos 5.º e 6.º ano na Escola Aires Barbosa, em Aveiro, e a ideia de criar brinquedos que pudessem ser utilizados por crianças invisuais ou com dificuldade de visão apareceu quando teve um aluno na aula que via com uma percentagem mínima. “Fui observando as dificuldades que [ele] tinha em perceber os objectos e representá-los. Se aquela criança tivesse sido estimulada com brinquedos provavelmente teria mais facilidade em expressar-se”, sustenta. 
    Daí surgiu a ideia de fazer brinquedos que incluíssem todos, um design que também aproximasse as crianças invisuais às crianças que vêem normalmente e que promovesse o convívio. Hoje, este tipo de objectos são quase inexistentes no mercado português. A docente encontrou a turma em que testou os brinquedos através do Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual, em Coimbra, que ajudou na investigação.
      Quais as características que Leonor apostou? Cores, porque a maioria dos objectos para crianças cegas eram a preto e branco e isso era “monótono”, e um design sem perigos. “As crianças [cegas] são receosas ao perceber novas texturas. Por isso fizemos objectos fofos, com interiores em esponja, que não sejam aguçados. Mesmo que sejam atirados não vão magoar”, disse, sublinhando a importância de as crianças serem receptivas aos brinquedos.
        Os objectos foram pensados para a faixa etária dos três aos seis anos. Além do cubo e do tapete, foi também criado um dominó com menos peças, cujos números sentem-se com o toque. “Quanto mais novos somos, mais facilidade temos em desenvolver a motricidade fina e a percepção táctil. Quanto mais cedo [as crianças] aperceberem-se das diferenças mínimas das texturas, mais depressa vão perceber as diferenças ao lerem Braille”, exemplificou.
       Agora, Leonor gostaria de produzir uma linha de brinquedos para pôr no mercado português. “Estou à espera de propostas de empresas que queiram participar neste projectos junto com a Universidade do Minho”, disse. 
      No horizonte, poderá estar ainda a produção de brinquedos ou jogos para crianças já na idade escolar, sempre com a ideia da inclusão. Segundo a docente, essa é uma realidade que ainda está longe das escolas, onde os espaços e as crianças estão separados. É necessário “arranjar maneira de que todos consigam partilhar as mesmas coisas, quanto mais cedo essa partilha acontecer, mais facilmente convivemos”.

in  publico

22 dezembro 2011

Aos pais

      Nesta época tão especial, uma palavra a todos os pais, especialmente aos que lidam diariamente com os seus filhos especiais. Que continuem a caminhada, que por vezes pode ser difícil, com esperança e determinação!
    
       "Os dias prósperos não vêm ao acaso, são granjeados, como as searas, com muita fadiga e com muitos intervalos de desalento." 
                                       (Camilo Castelo Branco)

Decerto muitos conhecerão estes e muitos outros sites de apoio, no entanto, nunca é demais fazer aqui este apontamento.

http://www.pais21.blogspot.com/
http://escolapaisnee.blogspot.com/
http://www.bipp.pt/
http://www.paisemrede.net/

RTP na linha da frente


Fotografia do programa HojeA RTP desenvolveu um novo conceito de adaptação de conteúdos de duplo ecrã, via web, que otimiza a presença do intérprete de Língua Gestual Portuguesa nos programas de televisão. A partir de agora é possível acompanhar a emissão em direto do programa “Hoje”, emitido diariamente às 22h00 na RTP2, através de uma página web no sítio da RTP e, simultaneamente, aceder a um ecrã adicional com o intérprete de Língua Gestual Portuguesa. Uma nova forma de acompanhar os programas de televisão, que assegura um melhor acesso ao conteúdo traduzido em Língua Gestual Portuguesa, uma vez que o público passa a dispor da possibilidade de definir a dimensão do ecrã do intérprete. É agora possível aumentar as dimensões do plano do intérprete de LGP até ao preenchimento total do ecrã ao contrário do que acontece nas televisões, onde o intérprete surge numa dimensão reduzida, no canto inferior do ecrã. O serviço encontra-se disponível em: www.rtp.pt/hojegestual. 

Acessibilidades na Internet III

          Estes programas destinam-se a facilitar o acesso à Internet. Aqui não só o utilizador encontra alguns navegadores com funcionalidades especificamente desenhadas para pessoas com necessidades especiais e que precisam de aceder à internet através de meios alternativos. Será o caso, por exemplo, das pessoas com deficiência visual. Mas para além do utilizador, os profissionais Web encontram também aqui aplicações que lhes permitem testar as suas páginas bem como ferramentas de análise e produção de relatórios de acessibilidade automáticos.
  1. TAW são as siglas de Test de Accesibilidad Web. Trata-se de uma ferramenta que análisa e reporta o grau de acessibilidade de uma dada página Web. O relatório e conformidade é feito à luz das Directrizes de Acessibilidade ao Conteúdo Web do W3C. Tem como objectivo difundir a acessibilidade como requisito no desenho e desenvolvimento de páginas Web, permitindo o acesso a todas as pessoas. Destina-se a todas as pessoas interessadas neste tema, especialmente os webmasters, designers, etc.www.tawdis.net
  2. Áudio Browser é um navegador de Internet para pessoas com deficiência visual, desenvolvido pela Universidade do Minho. Ao abrir um documento, a leitura principia, e o documento é percorrido em toda a sua extensão. É necessário apenas saber algumas poucas teclas de atalho para utilizar o software. O sistema permite a leitura ampliada numa linha que se apresenta no topo do ecrã. Vem equipado com um sintetizador de fala em Português do Brasil. http://ideafix.di.uminho.pt/ab/
  3. Opera Versão - Trata-se de um navegador de Internet que permite a execução de todos os seus comandos através do teclado. Vem equipado com um sistema de ampliação de caracteres extremamente potente, dada a excelência da nitidez dos caracteres, mesmo quando se utilizam grandes ampliações.
    Do ponto de vista do profissional Web ele é excelente para avaliação das páginas Web quanto à acessibilidade pois permite com um simples pressionar de uma tecla visualizar a página em modo texto, visualizar a página de forma linear (a forma como a mesma é apresentada a um sintetizador de fala e a uma linha braille) e ainda simular diversas resoluções gráficas do ecrã. http://www.opera.com/
  4. IBM - Home Page Reader - Trata-se de um navegador web com sintetizador de fala, concebido para utilizadores cegos. O sintetizador é em Português do Brasil. Também possui incorporado um sistema de correio electrónico. http://www-3.ibm.com/able/hprtrial3.html 
  5. Edipo é um editor de folhas de estilo (CSS) com base na Web, criado pela Fundação Sidar, foi especialmente desenvolvido e desenhado para ajudar os utilizadores a criarem a sua própria folha de estilos, quando estes não têm conhecimentos técnicos, mas precisam ou desejam modificar a forma em que se apresentam os conteúdos Web, melhorando a sua legibilidade. Edipo é especialmente útil para pessoas com deficiência visual. O Edipo gera uma folha de estilos em cascata seguindo as indicações do utilizador, modificando determinadas opções. Esta folha pode ser instalada no seu computador e ser usada como folha de estilos pessoal.http://www.ajudastecnicas.com/edipo/marcos.php 

Acessibilidades na Internet II


             Orientações para a Criação de Sites Acessíveis:
O W3C (World Wide Web Consortium) é o órgão que coordena a elaboração e padronização das regras de acessibilidade. Estas regras são adotadas por diversos países e empresas como a IBM e Microsoft. As orientações elaboradas pelo W3C têm como objetivo auxiliar e encorajar o desenvolvimento de páginas acessíveis, indicando não só princípios gerais como as formas ideais de implementação  que orientam os autores.
De forma genérica, os principais princípios para a criação de páginas são os seguintes:
  • Deve-se utilizar regras padronizadas para que qualquer indivíduo de qualquer parte do mundo, tenha possibilidade de criar páginas que são acessíveis universalmente aos diferentes tipos de utilizadores, independente do tipo de software, hardware e limitação que possua, permitindo a interoperabilidade. 
  • As páginas devem prover sempre mecanismos para gerar um texto alternativo quando um elemento não puder ser exibido e devem assegurar que todos os elementos do site são acessíveis via teclado. 
  • Deve-se utilizar navegação consistente e clara ( Evitar o famoso “Clique Aqui!!”), além de colocar informação clara no topo dos cabeçalhos, parágrafos, listas, etc...
  • Outra facilidade importante são mecanismos para “congelar” as informações que aparecem em movimento.
  • Em vez de destacar alguma informação importante através de cores ou outra forma de formatação utilizando-se elementos visuais, deve-se indicar através de palavras a sua importância no contexto da apresentação. A informação é mais importante do que sua forma de apresentação.
  • Deve-se criar uma ordem lógica para os links apresentados, facilitando a navegação. Fornecer links para a página inicial em todas as páginas  e garantir que os links textuais são formados por palavras ou frases compreensíveis fora do texto. 
  •  Sempre que se usar elementos gráficos como botões, utilizar texto com a mesma função para facilitar a interação por dispositivos não gráficos e via teclado.
  • Deve-se testar a acessibilidade em diversos browsers, incluindo os browsers com capacidade de sintetizar  voz e com leitores de monitor e validar com ferramentas de validação como as citadas abaixo:
    ·         BOBBY: http://www.cast.bobby.org
    ·         W3C HTML Validation Service:  http://validator.w3c.org